Intro: Fantasia I
I'll Save The World
Cluny Calls
Choral Prelude
Broken History
Beloved Jerusalem
Heap Of Bones
Dethroned In Shame
Darts Of Wind
Different Times, Different Places
Declaimed Prelude (The Bread And The Water)
Ten Wiles (Much More Than Begged Mercy)
Conclusion
ANO
NOTA
2005 9.5/ 10
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Adramelch

"Broken History"

Muitos anos atrás, os Italianos Adramelch lançaram “Irae Melanox” e depois sumiram-se na obscuridade. Mas a qualidade desse único álbum foi o suficiente para criar uma espécie de mito, uns fantasmas no mundo do metal que passaram a ser citados por outras bandas influentes do metal Italiano.

Quando em 2005 os Adramelch retornaram dos mortos para o seu primeiro álbum desde 1988, intitulado “Broken History”, eu fiquei salivante e cada segundo do novo álbum confirmou que mais uma vez os Italianos sabem criar diamantes musicais. Desde logo, “Broken History”leva-nos ao longo das Cruzadas e dos crimes cometidos contra inocentes em nome do perdão divino, começando pela convocação das Cruzadas por Urbano II no concílio de Clermont (I'll Save the World), passando pelo massacre de Jerusalém (Beloved Jerusalem), pela Segunda Cruzada (Dethroned in Shame). Mais profundo que um regular álbum de metal, as Cruzadas contra os Cristãos Cátaros e Marranos também são abordadas em “Heap of Bones”, uma das mais comoventes músicas que o metal produziu em anos, com uma letra profundamente triste, um verdadeiro lamento ao sangue derramado pela inquisição.

Instrumentalmente, “Broken History” está brilhante, com grandes momentos por parte da guitarra e dos restantes instrumentos, mas em particular as leads em “I'll Save the World”, “Cluny Walls” (Também com um grande desempenho do baixo), ou da grandiosa “Broken History” são justificação suficiente para se perceber porque é que os Adramelch são uma espécie de mito em termos de metal progressivo e épico.

Mas são as letras, excepcionalmente trazidas à vida por Vittorio Barellio que são a ponta-de-lança de Broken History. Raramente um álbum consegue abraçar tão fortemente dados históricos com tal exactidão, encadeando-os como se o álbum fosse um documentário de uma trágica era da humanidade. Dramáticas e filosóficas, ou sarcásticas, as letras sabem tocar fundo, seja a citação directa do massacre feita em “Beloved Jerusalem” e a acutilante sequência “Empty eyes with no more no tears to cry

Paralyzed with no words to say” , seja a pergunta de “Heap of Bones”, “Staunch people

Fire, slaughter, Tell you that you've won, or you're right?” e a de certo modo perturbadora narração de “Nailed bodies on - a burning cross/Roll, roll, roll in blood - knight crusader/drunk with force given - by his shield/Nostrils sated with - with blood's smell”, ou uma curta e simples frase que define toda a filosofia da Igreja Católica durante aqueles passados séculos quando em “Declined Prelude”, uma música do ponto de vista de um inquisidor se entoa “Save we must, the heretic from himself”.

“Broken History” tem, em suma, algumas das letras mais significativas e mais bem construídas de qualquer álbum de 2005 e aos que souberem ler nas entrelinhas, elas permanecem actuais, noutros contextos, com outras personagens, mas actuais. Apenas a produção demasiado fina pode deixar o álbum mal, mas de modo algum anula a excelência das músicas que contém. Metal Progressivo sem a auto-complacência de uns quaisquer Dream Theater e um dos melhores álbuns do ano transacto, isto se estiverem dispostos a pensar um pouco no que estão a ouvir e não esperarem coros cheios de melodias “sing along”; com o tempo as nuances tornam-se óbvias, mas porventura estão lá para quem as merecer e como tal se esforçar para as encontrar.

A nota só não é perfeita porque a produção dá em alguns momentos um som “arenoso” à bateria. Ainda assim, não posso tirar mais que meio ponto numa escala de 1 a 10.

Colaborador:Marco Trigo