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BAL-SAGOTH “The Chthonic Chronicles” Orquestra, orquestra, orquestra… como não podia deixar de ser, Bal-Sagoth consegue surpreender-nos com o seu som único, misto de um Heavy Metal sinfónico e bastante épico e agressivo, que nos agarra às colunas durante todo o álbum! Este “The Chthonic Chronicles” chega em boa hora. O álbum anterior desta banda Britânica datava de 2001 mas a espera valeu a pena. 5 nos para pensarem e produzirem um álbum é uma razão mais que plausível para não duvidarmos da qualidade deste. Este álbum bem poderia ser a banda sonora de um filme! Ao mesmo tempo tão melodioso e agressivo. Se toda a componente orquestral nos transmite aquela sensação de paz, toda a agressividade dos riffs e dos harsh vocals destroem-na por completo, tornando-se um autêntico exercício de emoções escutar este novo trabalho. As teclas estão muito Doom, em parte devido ao Sr. Johnny Maudling, teclista de estúdio de My Dying Bride. O álbum começa com “The Sixth Adulation Of His Chthonic Majesty”, uma deliciosa faixa instrumental com órgãos de igreja, coros carregados epicidade que serve como abertura para o que ainda está para vir. As hostilidades são abertas com “Invocations Beyond The Outer-World Night”, que tem um início extremamente pesado, começando com um riff bastante grave e a poderosíssima voz harsh de Byron Roberts, numa onda Doom; temos um seguimento breve de um conjunto límpido de teclas para de seguida sermos presenteados com um riff cortante Black Metal e muito, muito rápido. Como sempre, as teclas acompanham todo o tema, conferindo aquele ambiente melódico que, aliado a um excelente solo de guitarra e a riffs que mudam de ritmo sem nos avisar tornam esta faixa numa das minhas preferidas. “Six Score And Ten Oblations To A Malefic Avatar” inicia com uma guitarra melódica e uma narração muito calma e épica, como um conto, acompanhado de piano, em que de seguida explode num conjunto a fazer lembrar algo de Dimmu Borgir, tal é o poder que esta banda consegue conferir a todo o conjunto musical. Não tão extremos quanto os Noruegueses, mas quando querem conseguem sê-lo na perfeição, e na componente melódica são superiores. “The Obsidian Crown Unbound” tem um começo digno de uma banda Melodic Black. Muito orquestral e melódico, com riffs rapidíssimos e uma voz cavernosa, parecendo um relato de uma batalha épica. Toda a orquestra confere a esta faixa um ambiente que nos habituámos a ver em grandiosos filmes de guerreiros históricos. Uma das minhas preferidas do álbum, também. Se tencionam visitar uma cidade fantasma ou uma qualquer Necrópolis, esta “The Fallen Kingdoms Of The Abyssal Plain” será a música ideal para porem no auto-rádio. Muito misteriosa e mórbida, no entanto surpreendentemente melódica e calma, a ausência de vocalizações (apenas com uns breves coros em background) dá ainda maior ambiente a este trabalho. Após este momento de calma, voltamos ao peso com “Shackled To The Trilithon Of Kutulu”. Com um riff um pouco estranho e uma bateria um pouco repetitiva, tem no entanto pormenores de teclas deliciosos e lá para meio da faixa um solo de guitarra límpido mas muito bem colocado ajudar a quebrar a monotonia da secção rítmica. Voltamos à componente mais épica com “The Hammer Of The Emperor”, uma música quase mística, que poderia ter Thor como inspiração. Calma, narrada com uma voz cavernosa e profunda, com solos imensos de umas guitarras límpidas, alternadas por alguns riffs mais distorcidos aqui e ali e ladeados por um órgão majestoso, eis que todo o ambiente muda de repente para que ninguém adormeça, e temos novamente um som digno de qualquer grande banda Melodic Black Metal. Também uma das faixas a sublinhar pela positiva neste álbum. No seguimento Melodic Black da música anterior, com guitarras cheias de harmónicas, “Unfettering The Hoary Sentinels Of Karnak” traz-nos duas vocalizações muito distintas: a habitual narração lenta e cavernosa alternada por berros agudos à boa moda de Dani Filth, sem, no entanto, atingirem o poderio deste. É talvez das faixas onde poderemos apreciar um maior trabalho por parte das guitarras, que se complementam perfeitamente entre si. Em “To Storm The Cyclopean Gates Of Byzantium” temos um início orquestral, muito épico graças ao órgão clássico, piano, flautas, trombones e trompetes, ladeados por coros masculinos e femininos, que nos fazem estar presentes de uma antiga civilização e perante a sua grandiosidade. Nota-se o cuidado extremo que foi tido na elaboração deste tema. Digno do “Senhor Dos Anéis”. “Arcana Antediluvia” traz-nos mais uma vez uma entrada orquestral, quase triunfal, com uma narração breve, para depois dar início ao verdadeiro desfilar de talentos; uma voz bem colocada e muito harsh, violinos, teclas e um riff simples mas muito bem conseguido. Uma faixa a ouvir atentamente, porque contém imensos pormenores que passarão ao lado na primeira audição.. “Beneath The Crimson Vaults Of Cydonia” é uma das faixas mais pesadas de todo o álbum. Começa de modo extremamente rápido e pesado, e prossegue desta forma durante toda a sua duração, a fazer lembrar alguns trabalhos de Old Man's Child. Mas a componente melódica também cá está, a cargo das teclas e dos solos melódicos da guitarra, que está em evidência nesta grande música. O álbum encerra com “Return To Hatheg-Kla”. Trata-se de um começo muito etéreo, sem instrumentos, apenas uma sample de um ambiente mórbido, com uivos fantasmagóricos e alguns ruídos industriais e permanece assim até final. Serve para nos recompormos de todo o álbum e, em especial, do fulgor demonstrado na musica anterior. Em suma, este álbum vai sem dúvida figurar no Top 10 dos melhores álbuns deste ano. Muito bem trabalhado, muito completo, com inúmeras influências externas de bandas sobejamente conhecidas por todos. Na minha opinião, o melhor trabalho da banda. Sem dúvida um álbum para ouvir vezes sem conta! Colaborador: César Veríssimo |