1. Luminum
2. In The Kingdom Where Everything Dies,The Sky Is Mortal
3. Carrionshine
4. Adeste Infidelis
5. The Curse Of The Great
6. The Frantic Pace Of Dying
7. Keeping The Cadaver Dogs Busy
8. Angelskingarden
9. The Pestilence That Walketh In Darkness (Psalm 91 : 5-8)
10. The End
11. Endless Cemetery

ANO
NOTA
2005 9.5/10
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Cryptopsy

“Once Was Not”

Depois de um interregno de cinco anos, os canadianos estão de volta. Depois de oficialmente terem acabado como banda, os Cryptopsy resolveram juntar-se de novo e desta vez gravaram o álbum com o vocalista inicial Lord Worm (Dan Greening), mas perderam um dos seus guitarristas fundadores, Jon Levasseur.

Esta é, a par dos Gorguts, a banda que mais sucesso teve fora do Canadá e também a banda que mais inovou em termos técnicos, definindo algumas das linhas do Avant Garde Death Metal dos inícios dos anos 90, servindo de inspiração a muitas e muitas bandas que tocam Brutal Death Metal nos dias de hoje. Quem não os conhece não deve ser deste planeta, tal foi a maneira como eles gravaram obras-primas e inventaram técnicas novas de guitarra. Embota os Suffocation sejam considerados os pioneiros do Brutal Death Metal, creio mesmo que os norte-americanos foram “roubar” muitas técnicas a estes canadianos.

Bom, introdução já feita, passo agora à análise de “Once Was Not”: estranhamente, o álbum começa com um acústico tipicamente espanhol (flamenco, para ser mais exacto!) intitulado de “Luminum” (não são muitas as bandas de Brutal Death que iniciam assim os seus discos… mas quem não arrisca, não petisca) que serve de plataforma de transporte brutal a “In The Kingdom Where Everything Dies, The Sky Is Mortal”. Esta faixa é a verdadeira primeira música do disco que traz de imediato à memória os bons velhos tempos de “None So Vile”: voz extremamente “arranhada” e cuspida a “100 á hora”, com grandes truques de guitarra e baixo, nomeadamente. De facto, a nova geração do Mathcore/Mathmetal certamente que tem nas suas prateleiras todas os registos dos Cryptopsy, senão, ouçam bem discos de bandas como Converge ou mesmo os mais recentes Into The Moat. O primeiro grande solo virtuoso surge na terceira música “Carrionshine”, assim como os primeiros blast beats infernais de Flo Mounier, sendo que, por conseguinte, “Carrionshine” é mesmo uma das melhores malhas de Death Metal dos últimos anos. Mas querem tempos realmente frenéticos e matmáticos? Ouçam “The Frantic Pace Of Dying” e fiquem a perceber que música técnica não é só Dream Theater ou Opeth (sem menosprezar estas duas excelentes bandas. Quero que isso fique bem claro)… há também outros horizontes!

A segunda grande surpresa acústica vem com “The End” e toda a sua carga emocional de características árabes, recordando-me aqueles lindos instrumentais dos israelitas Orphaned Land. E, contrariando o velho ditado “depois da tempestade vem a calma”, “Endless Cemetery” termina, de forma desoladora e bem brutal, este maravilhoso regresso da banda, sendo que pequenas partes da música me fazem lembrar

um pouquinho algum Black Metal, especialmente nas guitarras e na voz de Lord Worm, mas são pequenos segundos.

Cinquenta minutos de puro prazer técnico-brutal.

Colaborador: Simao Fonseca