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Heed "The Call " Quando o vocalista Daniel Heiman deixou os Lost Horizon, muita gente sentiu arrepios pela coluna acima, porque Heiman é dono de um desses talentos vocais de meter inveja a qualquer um. A capacidade de dar uma forte emocionalidade a cada composição graças à expressividade com que projecta a voz, é algo que deixará saudades nos Lost Horizon. Mas sabíamos que Heiman tencionava trabalhar na sua banda, denominada de Heed, que formou com Fredrik Olsson, guitarrista que também saíu de Lost Horizon. O álbum “The Call” acabou por ser lançado por fim na recta final de 2005 e é uma verdadeira pérola que só poderá desiludir quem por acaso esperar algo igual a Lost Horizon. “The Call” é bem mais do que isso, mostrando Heiman como uma fera à solta nas vozes e um Olsson capaz de sacar riffs monstruosos. Com isso, algumas músicas do álbum ganham uma dimensão grandiosa que, sim, acaba por lembrar muito o espírito combativo e motivador de Lost Horizon, como quando em “I Am Alive” proclama “ Hear me now for a reason, I stand on grounds that won't give in: my strength and will are forever”. OK, a música começa com um “scratchig” que deixa o estômago apertado em antecipação, mas cresce e cresce até se tornar grande, com um grande solo de Olsson. Ao fim de algum tempo poderá ser algo que levará ao desgaste do rewind de qualquer leitor de CD. Com melodias que razam o “radio friendly”, os Heed acabam por nos entregar um trabalho soberbo, muito na veia de Dream Evil ou Twilightning, com todas as especificidades do metal Sueco que conhecemos e amamos. “Ashes”, com o seu riff forte e a lead inspirada é mais uma música com um pouco de Lost Horizon... ou talvez seja apenas a impressão transmitida pela excelente performance de Daniel e a ela segue-se “Enemy”, um ponto de alto do álbum, com um refrão em especial que é delicioso pela camada musical à qual se sobrepõe o grito épico de Daniel Heiman. Até ao fim, mantém-se o alto nível do álbum, passando pela melodia de “Salvation” , pela grande guitarra de “Tears of Prodigy”, a agitada “Hypnosis” ou a melancólica “Nothing” que encerra o álbum excepto nas versões que contiverem a excelente “The Flight” (bom, os Japoneses levam sempre uma bonus track, é impressionante...). “The Call” oferece grandes riffs, melodia e potência que vale nem que seja por uma performance de Heiman como já não se ouvia desde a saída dos Lost Horizon, nem mesmo no álbum de Crystal Eyes em que o Sueco tomou os deveres de vocalista. Perante tamanho alto nível, os samples, o scratching que aparecem em alguns momentos não conseguem baixar de modo algum a qualidade do que é um grande álbum de 2005. OK, os raros elementos mais modernos/electrónicos acabam por dar uma identidade mais vincada às músicas, mas ainda assim... torço-lhes o nariz como a um WC público. Colaborador: Marco Trigo |