1. After
2. Volte-Face
3. Conceiving You
4. Second Life Syndrome
5. Artificial Smile
6. I Turned You Down
7. Reality Dream III
8. Dance With The Shadow
9. Before
ANO
NOTA
2005 10/10
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Riverside

Second Life Syndrome

Os Polacos Riverside surgem em 2005 com um dos mais belos e elaborados álbuns de metal progressivo do ano, capaz de apaixonar quem quer que não orbite em torno dos Dream Theater. O nome desse álbum é Second Life Syndrome e tem momentos de beleza musical simplesmente apaixonantes.

Muito atmosférico e negro, o álbum é quase filosófico mas soturno, como o indiciará a sussurrada intro e o seu lamento “I can't take anymore, I can't breath, I'm sick of this goddamn darkness, sick of the sadness and the tears. I threw it all up every single day together with last nights dinner…” , mostrando que não é preciso ser-se cantor de Black Metal para se falar de vomitado.

Genialidade pura e simples com um alto nível de desempenho técnico, Second Life Syndrome não deixa de conseguir fazer o que muitas bandas de Progressivo parecem não saber fazer: manter emocionalidade, “feeling” e alma ao longo de todo o álbum. É assim que tanto as teclas do mágico órgão Hammond, como os solos, podem chegar a ser arrepiantes pelos sentimentos que transmitem muito para lá de um qualquer show off egocêntrico. Para mais, em Mariusz Duda a banda tem um soberbo vocalista, capaz de harmonias vocais elegantes, melodiosas, penetrantes por um lado até guturais fortíssimos muito afins de Phil Anselmo.

A mostrar a qualidade técnica da banda, Volte Face lança todos os instrumentos na refrega como se de uma jam session se tratasse, e com um destaque para as teclas, sempre ao melhor nível. Mais à frente, Still Conceiving You é uma balada melancólica e cheia de uma beleza soturna que nos deixa colados às colunas graças ao desempenho de cada membro da banda, mas em particular de Mariusz.

Mas é com Second Life Syndrome que o génio se solta. Quinze minutos de vocalizações cristalinas e gritos de desespero guturais e mudanças de ritmo dignas de memória, numa música que aos 10 minutos nos contempla com um divinal duelo vocal muito jazzy entre Duda e os restantes instrumentos, destacando-se sem dúvida alguma as linhas de baixo, cortesia do próprio Duda.

O lado mais rockeiro e menos insosso do metal Progressivo da banda pode ser ouvido com a seguinte Artificial Smile e o grande refrão que é “I don't like you ‘cause they like you: I hate you ‘cause they love you” em que Duda mais uma vez mostra que com a sua voz ele é capaz de fazer grandes proezas e de facto deixa credenciais impressionantes.

I Turned You Down é o diamante que se segue, com uma estrutura maravilhosa, que vai em crescendo, embalada por uma deliciosa guitarra e grandes teclas até que nos tira o tapete debaixo dos pés e muda de ritmo para algo muito mais atmosférico e contemplativo. Duda aqui quase que fala a música mais do que canta até chegar ao refrão e ele se soltar, e o trabalho de Piotr Grudzinski na guitarra é arrepiante, tal como no resto do álbum, graças aos grooves e texturas que ele constrói com um tacto impressionante.

Segue-se um magistral instrumental na forma de Reality Dream III que antecede Dance With the Shadow e Before , que encerra o álbum.

Com um Metal Progressivo altamente técnico mas com uma alma muito mais profunda que o usual, com uma atmosfera entre o moderno de Dream Theater e o mais clássico de Deep Purple sem no entanto podemos dizer que Riverside são mais uma banda com influências de Dream Theater (eu arriscaria mais Pink Floyd) ou Green Carnation. No fundo a identidade da banda é muito própria e se não forem viciados em velocidade furiosa, Second Life Syndrome será uma viagem mágica por um mundo de sons invocativos de imagens e sentimentos que não se esgotarão nem serão todos descobertos na primeira audição.

Alguns poderão achar um ponto negativo as longas passagens instrumentais da banda, mas são tão bem executadas (a interacção entre a bateria e o baixo é digna de louvor), tão bem construídas e por vezes tão belas que apenas acrescentam à grandiosidade do álbum. A música é altamente atmosférica e calmante, mas ao mesmo tempo que nos relaxa, também nos exige atenção e após 300km de comboio com este álbum nos ouvidos, cada segundo de música me deixou com uma grande gratidão para com os Polacos.

Sem dúvida um dos melhores álbuns de Progressivo do ano e potencialmente entre os melhores álbuns de Progressivo do ano e potencialmente entre os melhores álbuns do género nos últimos anos.o

Colaborador: Marco Trigo