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Subterranenean Masquerade "Suspended Animation Dreams" Todos sabemos que há bom e mau metal, embora o que separa um do outro seja relativamente subjectivo. E depois há vários géneros e sub-géneros, uns mais puristas, outros mais estranhos, para permitir o encaixe de uma ou outra banda com um rasgo ou suposto rasgo de originalidade. Para lá disso tudo, existem aquelas bandas que desafiam qualquer enquadramento e ultrapassam por completo muitas das fronteiras dentro das quais procuramos enquadrar o metal e as suas mais variadas mutações. Assim é com os Norte Americanos Subterranenean Masquerade e o seu álbum estranhamente baptizado de Suspended Animation Dreams . Com um pouco de alucinação, um pouco de loucura, e muita imaginação, os Subterranean Masquerade apresentam-nos um trabalho único que junta os guturais de Paul Kuhr (Novembers Doom) a passagens incrivelmente calmas, seja com guitarras, violinos, ou uma completa secção de cobres... para quem nunca ouviu uma música de metal com saxofone ou trompete, é altura de ouvir, porque até harmónica é possível encontrar. Portanto, é mais que Progressivo, mais que Avant-Garde. Por mais estranha que seja a mistura eclética de instrumentos, não o é tão estranha quanto a deliciosa estrutura das músicas, nunca monótonas, sempre muito variadas, onde abundam passagens do mais puro Jazz que se misturam tanto com vocalizações guturais, como limpídas, e aqui se destaca a presença do grande Kobi Fahri (Orphaned Land , para quem não conhece e deveria conhecer) que na música “No Place Like Home” acrescenta alguns cânticos orientais num desses momentos de beleza instrumental que abundam por todo o álbum. Instrumentalmente surpreendente, Suspended Animation Dreams não é um álbum que atire para a arena solos de guitarra que nos façam sacar da nossa enferrujada air guitar , mas ainda assim existem momentos memoráveis como o solo mais “jazzy” de Rock'n'Roll Preacher . Por entre o mais atmosférico e etéreo de músicas como “Wolf Among Sheep (OK Maybe The Other Way Around)” , Paul Kuhr ganha uma outra dimensão com os seus guturais controlados e é o responsável por muita da força que é dada a músicas repletas de variedade musical (na mesma música tanto se ouvem violinos, como solos de guitarra, como coros de igreja e diversos instrumentos de sopro).
Só com “ Six Strings To Cover Fear” que o metal mais duro ganha vida, com uma lead de guitarra muito dinâmica e subitamente o pedal duplo a acelerar, um riff mais furioso tipicamente Black e Paul Kuhr a rasgar as ondas sonoras. Depois acaba tudo por voltar à normalidade contemplativa, psicadélica e bastante bela do álbum, de onde se destaca a maravilhosa “Awake” , pontuada por excelentes coros e passagens incrivelmente “jazzy” de piano e bateria. Se alguma vez poderemos ouvir algo claramente enraízado no jazz com guturais agressivos, terá de ser mesmo aqui, porventura os momentos mais calmos alguma vez guturalizados... Claro que as vocalizações extremas não são o exclusivo do álbum, tampouco devem desencorajar quem não gosta deste tipo de performances (como eu próprio), porque estão muito bem executadas e até controladas. “Suspended Animation Dreams” leva as fronteiras do metal para outros locais e é sem dúvida alguma um álbum extremamente difícil de classificar, enquadrar e até encaixar nos nossos padrões musicais. Metade do que aquele trabalho contém, eu sou perfeitamente incapaz de o definir, mas a garantia é que o resultado é algo que quase de certeza, ninguém que leia esta review alguma vez ouviu. E os elementos patentes no trabalho nem sequer são o tipo de ementa que eu gosto de digerir diariamente, mas pelo arrojo, pela originalidade, este trabalho merece a maior das considerações. Com experimentalismo, pormenores de metal extremo, psicadelismo atmosférico que poderá indicar Opeth, uma mistura extremamente eclética de estilos musicais, “Suspended Animation Dreams” tem algo para agradar a todos ou para desagradar a muitos e irá suscitar amor ou ódio. O que será incontornável, é que este álbum exige paciência, persistência e não faz questão de entrar à primeira, simplesmente porque há demasiados pormenores a chamar à atenção. Eu não consigo simplesmente pensar em nada que pudesse exigir à banda para melhorar o seu desempenho, de tão variado que ele é, e por isso mesmo, a classificação é... Colaborador: Marco Trigo |