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THYRFING “Farsotstider” Três anos se passaram desde “Vansinnesvisor”, para muitos considerada a obra-prima dos Thyrfing, esta banda de origem sueca, que nos oferece uma agradável fusão de Black e de Viking Metal. Desde então, temo-nos deliciado em ouvir tal álbum, enquanto não chegava um digno sucessor. E seria preciso a banda fazer algo tão bom ou superior, sob o risco de não ser bem aceite no mercado, graças à qualidade extrema deste álbum de 2002. Mas 2005 trouxe-nos “Farsotstider”, um fascinante e poderoso conjunto de faixas que irá deixar qualquer apreciador de Viking Metal e de Black Metal escandinavo deliciado. Tão bom quanto o seu antecessor, inclusive melhor, em certos aspectos, “Farsotstider” oferece-nos 8 faixas verdadeiramente excepcionais dentro do género, que nos transmitem toda a mística envolvente do Viking Metal, um som pesado e bastante grave, muito ritmado e com e aliado a uma componente épica deslumbrante. A faixa de abertura é “Far At Helvete”. Um pouco estranha, avaliando os anteriores trabalhos de Thyrfing, uma vez que parece que temos uma gravação ao bom estilo de Varg Vikernes (Burzum); som propositadamente cru, a roçar o Raw Black Metal, com riffs típicos deste sub-género, com as teclas e sintetizadores a acompanharem toda a envolvente da música. No entanto, não deixa de ser uma das faixas mais pesadas do álbum, embora algo atmosférica. Na segunda faixa, “Jag Spar Fordarv”, começamos com uma invulgar mas bem conseguida guitarra muito melódica, para pouco depois todas as hostilidades serem abertas ao bom estilo Viking: agressividade q.b., que nos vai preparando com sonoridades de órgãos para uma atmosfera verdadeiramente digna de uma epopeia Viking para uma segunda parte da música muito melódica, conseguida pelos teclados muito bem trabalhados e límpidos. Acaba por retornar o peso com que começou até final, numa música muito bem conseguida. A faixa que dá nome ao álbum, “Farsotstider” é uma faixa com claras influências Doom e Darkwave, com um ambiente pesado, muito lenta em certos aspectos com riffs quase fantasmagóricos, em que as teclas acompanham toda esta natureza para conseguir criar da melhor forma uma atmosfera que nos desperte uma tristeza anterior. Agora que estamos bem ambientados ao conteúdo de um álbum capaz de nos proporcionar estados de espírito diferentes de faixa para faixa, “Host” não podia ter sido colocada em melhor altura. É talvez a música de todo o álbum mais tradicionalmente Viking. Começa com uma soberba guitarra acústica, para nos elevar a ambientes mais tradicionais, para depois entrar um riff acompanhado de um conjunto de teclas delicioso, ao mesmo tempo que começamos a ouvir o verdadeiro poderio da voz harsh de Thomas Väänänen. Esta faixa traz-nos também as sonoridades de um violino sintetizado de modo perfeito, alternado por guitarras acústicas, como no início e e pelos instrumentos eléctricos. Uma das melhores faixas do álbum, não sendo no entanto uma das mais pesadas. Chegamos a meio do álbum e “Sjalavrak” traz-nos mais sonoridade como a que ouvimos em “Host”. Muito bem conseguida, também, no entanto menos melódica. A faixa 6, “Elddagjamning” começa com uma melodia melancólica muitos decibéis abaixo do que temos ouvido até aqui (é portanto para ouvir bem alto), para em seguida entrarem as guitarras com uma componente melódica e a habitual voz harsh. Uma faixa com uma componente Doom presente, também, sem descurar a orientação da banda: Viking Metal. Em “Baldersbalet” temos uma excelente combinação de riffs lentos, ritmados, extremamente graves que aliados a uma voz mais harsh e soturna que o habitual nos surpreende. Mas as surpresas não ficam por aqui; pouco depois ouvimos uma breve melodia de uma guitarra acústica para de seguida voltar todo o ambiente anterior, mas com um ritmo e velocidades completamente diferentes e mais acelerados. Uma das melhores faixas para o “headbanging”. A fechar o álbum vem talvez a pérola deste. A par com “Host”, é das melhores faixas que podemos ouvir em “Farsotstider”. O riff inicial pesado aliado aos sons de violino e de órgão funciona na perfeição para nos preparar para o que vem a seguir. De repente, todo o ambiente explode, com as teclas a encherem de maneira surpreendente todo o ambiente musical, riffs de cortar a respiração, violinos e nos enchem de melancolia e… eis que temos uma pausa em que foram introduzidas guitarras acústicas. Apenas guitarra acústica e bateria, como um interlúdio na faixa, para nos deixar descansar um pouco. Novamente dá-se uma explosão da guitarra eléctrica e das teclas para depois entrarem os sintetizadores com uma sonoridade original neste álbum muito melódica e etérea. Temos uma substancial componente instrumental, de seguida, em que nos são oferecidas outras sonoridades novas. Uma verdadeira surpresa, esta última música. Já no final, temos um fade na faixa, para o álbum acabar como começou: aquele som mais cru, de qualidade de gravação mais fraca… Em suma, trata-se de um álbum muito trabalhado e elaborado, que se aconselha a ser escutado por diversas vezes, para podermos entranhar da melhor forma todos os pequenos detalhes de cada uma das músicas. A cada audição deste majestoso trabalho encontramos algo que não nos tínhamos apercebido aquando da última vez, o que prova todo o cuidado posto na elaboração deste novo registo da banda que é um digno sucessor, se não melhor, que “Vansinnesvisor”. Colaborador: César Veríssimo |