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Cradle Of Filth " Thornography" Os Britânicos Cradle Of Filth conseguiram surpreender-me com este novo “Thornography”. Sendo um seguidor assíduo da carreira desta banda Black / Extreme Gothic, este último trabalho tem umas coisas que o tornam especial. À primeira audição podemos dizer que os Cradle perderam aquela sonoridade que os caracterizava; muita agressividade, vocalizações estridentes e demasiado agudas (daquelas que rebentam com as cordas vocais a quem tente imitar o Dani Filth) e teclas muito presentes e envolventes, a par com guitarras no seu expoente máximo dentro do Black, com riffs quase inimitáveis e com baterias ao nível apenas dos melhores (lembram-se de Nicholas Barker?). Todo o trabalho presente neste álbum já não se reflecte neste patamar. A banda está melhor, mais madura, numas coisas, pior, na minha opinião, noutras. A voz sofreu uma melhoria estrondosa. Isto para uma pessoa que, como eu, nunca foi grande fanática dos agudos do senhor que, sem lhe tirar o mínimo valor, pareciam-me excessivos. Está agora mais ao estilo do bom Black Metal, com umas partes menos harsh, o que também ajuda a acentuar a componente melódica que este álbum conseguiu alcançar. Os mais puristas e adeptos da banda nos seus álbuns iniciais poderão dizer que esta não será uma voz tipicamente Cradle Of Filth. Mas é. Apenas evoluiu, e bem. Todos os timbres característicos do Dani estão cá, as vozes harsh graves também e ainda temos alguns agudos, bem menos susceptíveis de ferir os ouvidos. As guitarras estão ao seu melhor nível. Aliás, se há coisa que a banda se pode orgulhar é do nível técnico das guitarras. Seguindo mais a vertente de “Nymphetamine” estas já não têm floreados do início ao fim das músicas, preferindo alternar solos muito bem conseguidos com riffs extremamente agressivos, tudo numa mescla muito bem misturada e agradável. Igualmente, ganharam em componente melódica, notando-se ainda algumas influências Death ‘n’ Roll em alguns riffs. Espectaculares! Nas peles, a bateria está muito coesa e preenche o vazio deixado pelas teclas. Sendo um adepto do Nicholas, que há muito não está na banda (a sua última participação foi no “Cruelty And The Beast”, de 1998) a aquisição do baterista checo Martin “Marthus” Skaroupka (podem ouvi-lo em Mantas, de Jeff “Mantas” Dunn, ex-Venom) foi uma mais valia para a banda. Desempenha bem o seu papel, com variações muito perfeitas de ritmo, muito coeso, como disse, com o resto da banda. O único senão é que não sobressai tanto como Nicholas, mas isso seria pedir demais. O que não gosto no álbum: a perda das teclas! Todo este conjunto actual dá aos Cradle uma sonoridade mais experimental, não tão gótica, mas muito pesada na mesma. O problema é que o factor habituação também pesa e os Cradle sempre marcaram a diferença pelas excelentes teclas que tinham.todas aquelas melodias orquestrais davam um ambiente muito soturno e vampiresco à cena e embora as possamos ouvir na mesma, estão muito restritas a breves momentos nas faixas e nunca tão elaboradas como sempre estiveram. A banda despediu Martin Powell (My Dying Bride) e contratou Rosie Smith apenas como session performer. De todos os teclistas que a banda teve na sua carreira, esta senhora é sem dúvida a mais apática a atacar as teclas. E para quem ouça pela primeira vez o álbum vai notar isso de imediato... Nota: 8/10 Colaborador : César Veríssimo
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