1. From The Cradle To Enslave
  2. Of Dark Blood And Fucking
  3. Death Comes Ripping
  4. Sleepless
  5. Perverts Church (From The Cradle To Deprave)
  6. Funeral In Carpathia (Be Quick Or Be Dead Version)
ANO
NOTA
2006 8/10
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Cradle Of Filth

" Thornography"

Os Britânicos Cradle Of Filth conseguiram surpreender-me com este novo “Thornography”. Sendo um seguidor assíduo da carreira desta banda Black / Extreme Gothic, este último trabalho tem umas coisas que o tornam especial.

À primeira audição podemos dizer que os Cradle perderam aquela sonoridade que os caracterizava; muita agressividade, vocalizações estridentes e demasiado agudas (daquelas que rebentam com as cordas vocais a quem tente imitar o Dani Filth) e teclas muito presentes e envolventes, a par com guitarras no seu expoente máximo dentro do Black, com riffs quase inimitáveis e com baterias ao nível apenas dos melhores (lembram-se de Nicholas Barker?).

Todo o trabalho presente neste álbum já não se reflecte neste patamar. A banda está melhor, mais madura, numas coisas, pior, na minha opinião, noutras. A voz sofreu uma melhoria estrondosa. Isto para uma pessoa que, como eu, nunca foi grande fanática dos agudos do senhor que, sem lhe tirar o mínimo valor, pareciam-me excessivos. Está agora mais ao estilo do bom Black Metal, com umas partes menos harsh, o que também ajuda a acentuar a componente melódica que este álbum conseguiu alcançar.

Os mais puristas e adeptos da banda nos seus álbuns iniciais poderão dizer que esta não será uma voz tipicamente Cradle Of Filth. Mas é. Apenas evoluiu, e bem. Todos os timbres característicos do Dani estão cá, as vozes harsh graves também e ainda temos alguns agudos, bem menos susceptíveis de ferir os ouvidos.

As guitarras estão ao seu melhor nível. Aliás, se há coisa que a banda se pode orgulhar é do nível técnico das guitarras. Seguindo mais a vertente de “Nymphetamine” estas já não têm floreados do início ao fim das músicas, preferindo alternar solos muito bem conseguidos com riffs extremamente agressivos, tudo numa mescla muito bem misturada e agradável. Igualmente, ganharam em componente melódica, notando-se ainda algumas influências Death ‘n’ Roll em alguns riffs. Espectaculares!

Nas peles, a bateria está muito coesa e preenche o vazio deixado pelas teclas. Sendo um adepto do Nicholas, que há muito não está na banda (a sua última participação foi no “Cruelty And The Beast”, de 1998) a aquisição do baterista checo Martin “Marthus” Skaroupka (podem ouvi-lo em Mantas, de Jeff “Mantas” Dunn, ex-Venom) foi uma mais valia para a banda. Desempenha bem o seu papel, com variações muito perfeitas de ritmo, muito coeso, como disse, com o resto da banda. O único senão é que não sobressai tanto como Nicholas, mas isso seria pedir demais.

O que não gosto no álbum: a perda das teclas! Todo este conjunto actual dá aos Cradle uma sonoridade mais experimental, não tão gótica, mas muito pesada na mesma. O problema é que o factor habituação também pesa e os Cradle sempre marcaram a diferença pelas excelentes teclas que tinham.todas aquelas melodias orquestrais davam um ambiente muito soturno e vampiresco à cena e embora as possamos ouvir na mesma, estão muito restritas a breves momentos nas faixas e nunca tão elaboradas como sempre estiveram. A banda despediu Martin Powell (My Dying Bride) e contratou Rosie Smith apenas como session performer. De todos os teclistas que a banda teve na sua carreira, esta senhora é sem dúvida a mais apática a atacar as teclas. E para quem ouça pela primeira vez o álbum vai notar isso de imediato...

Nota: 8/10

Colaborador : César Veríssimo