|
|
DEATHSTARS "Termination Bliss" Uau: que álbum! E esta simples frase poderia ser mais eloquente que uma página inteira de palavreado, mas ainda assim eu procurarei dizer por mil palavras o que poderia dizer com duas ou três. Deixem-me desde já explicar que eu nunca compraria um álbum cuja capa tivesse 4 gajos que parecem um cruzamento entre Marylin Manson e sodomistas disciplinadores neonazis. Há ali uma certa ideia de “a gente é má quando usa lentes de contacto” e eu preferia sem dúvida que a capa fosse a parte de trás... mas sem o sangue a sair dos olhos: quando eu vejo uma mulher nua, não quero pensar que estou a ter uma reacção erótica a alguém que provavelmente sofre de febre hemorrágica. Termination Bliss tem recebido louvores por um lado e apedrejamentos por outro e estes últimos parecem concentrar-se em torno da ideia que os Deathstars pretendem ser os próximos Rammstein. Oh jovens, mas já diz o velho adágio que nem tudo o que riffa é Rammstein! Embora o álbum tenha alguns apontamentos que lembram os Rammstein (muito obviamente, a segunda música: Blietzkrieg ), os Deathstars parecem estar para Sisters of Mercy como Mr. Hyde está para Dr. Jeckyl (oh, vão ler!), Isto quer dizer que ao gótico dos SoM, os Deathstars acrescentam potência, agressividade e algo mais sádico, mas mantendo o lado mais hipnotizante e erótico do gótico dos SoM e não o lado mais industrial dos Rammstein , enquanto que será mais fácil aceitar semelhanças por causa de quem misturou o álbum do que por uma tentativa de cópia por parte dos Suecos. De qualquer modo é o erotismo auditivo nos ritmos convidativos e sensuais, hipnóticos até e enegrecidos que sem dúvida mais atrai em Deathstars e se eu podia dizer muito de Rammstein , nunca os consideraria uma experiência erótica a nível auditivo: sexualmente arrojada, irreverente, sim... mas erótica, nem tanto. Erotismo não é falar de sexo ou praticá-lo, é uma questão de sentimento, de atitude, coisas que os Deathstars têm em abundância, tornando toda a experiência em torno da temática da morte e dor uma experiência de morbilidade atractiva e não sem se tornar psicopatologicamente sádica. Com um pouco de black patente nas vozes, electro nas teclas, e até um pouco de sinfónico nos coros (o melhor exemplo será Greatest Fight on Earth ), a mistura resultante é por um lado obscura e por outro lado melódica e atraente, resultando em músicas verdadeiramente cativantes como Tongues , Motherzone , Cyanide ou qualquer uma das músicas atrás mencionadas. Se criticarem os rapazes por terem poucas músicas aceleradas, eu francamente terei de apontar o facto que o gótico não tem de ser acelerado e se se queixarem que eles têm muito de Euro-gótico, eu terei de lhes dar um ponto extra só por isso. Eu gosto de “Euro-coisas” no metal... Para lá da sonoridade contagiante, algo que me agrada bastante no álbum é o timbre do vocalista Whiplasher, muito grave e mais entoado que cantado, jogando entre o profundo límpido, os graves roucos mais para o lado de Moonspell e os rasgados perfeitamente black muito omnipresentes e opressivos na própria Termination Bliss. Quem quiser pode lançar para cima da mesa uma série de críticas e falhas no álbum. Eu adorei: a parte difícil foi escrever a review em vez de simplesmente me deitar a gozar a experiência auditiva. Colaborador: Marco Trigo |