01 Sacrifice
02 Rocket Ride
03 Catch Of The Century
04 Asylum
05 Return To The Tribe
06 Save Me
07 Matrix
08 Out Of Vogue
09 Superheros
10 Wasted Time
11 Trinidad
12 Fucking with fire [Hair force one]
13 Land of the miracle - Live

ANO
NOTA
2006
8/10
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EDGUY

"Rocket Ride"

Porventura já devem ter percebido que eu tenho uma perna e parte da alma bem colocadas do lado do Power-Metal. Quem anda nessas andanças tem, quase que obrigatoriamente, uma dezena de bandas de referência, uma das mais incontornáveis sendo os Eguy .

Do Tobias Sammet, poderíamos dizer muitas coisas, boas ou más, mas musicalmente considero o homem um dos vários génios com que o metal conta e contará ainda por largos anos. Diga-se o que se disser do apetite do homem pelo humor que às vezes nos faz franzir o sobrolho, cada álbum dos Edguy é sólido, energético e com um super-petroleiro carregado de coros memoráveis.

Para 2006, os Germânicos oferecem-nos Rocket Ride , cuja capa “cartoonizada” e alguns apontamentos nos títulos de músicas e observações, deixava desde logo antever uma dose moderada de palhaçada pelo meio. Mas após ouvir o álbum, o reverso da medalha é que este trabalho é variadíssimo e a banda está musicalmente ainda mais madura, se é que tal é possível. Prova disso mesmo é a fantástica “Sacrifice” que abre o álbum: um riff energético, um coro extremamente melódico e várias passagens baladescas e uma grande incursão pelo lado sinfónico do metal. É uma música de que os Edguy se podem orgulhar e que os fãs vão adorar sem restrições, até porque tem um certo ar de Edguy de tempos passados mas com alguma actualização.

Com “ Rocket Ride” , o tom é mais rockeiro, veloz, curto e grosso, muito clássico, com uma atmosfera dos anos 80 que é inegável. O solo do Jens Ludwig é rico, é o seu costume... e do que ele faz, eu gosto de ouvir repetidamente.

Segue-se “Wasted Time” , que é puro Edguy clássico, tal como “Out of Vogue” , mas Rocket Ride é mais (ou menos) que um álbum de Power Metal e se a música que dá nome ao álbum já indicava que isto é mais para os rockeiros que para os metaleiros, a balada “Save Me” apresenta uma forte influência AOR com uma melodia contagiante que convida ao acompanhamento por parte de qualquer ouvinte.

Mas as restantes músicas também se podem destacar, como “The Asylum” , a excelente “Catch of the Century” , o single “Superheroes” e “Matrix” cuja sonoridade é mais moderna que o resto do álbum. Algumas pessoas poderão odiar “Trinidad” , seja pelo humor, seja pela música em si, mas vá lá... jovens... a música é tão groove e tão “tropical”... e aquele “lalala” tão infantil no coro... bom, vocês têm alguma coisa contra um pouco de humor no metal? Isto não pode ser só rezas anti-cristãs e problemas existenciais! Em “Trinidad” , o Tobias & Cia. têm algo pelo gozo da coisa, pelo divertimento e eles bem que merecem um pouco de R&R (Rest & Relaxation).

A fechar o álbum “Fucking With Fire (Hairforce One)” não abandona o tom ero-provocativo e a letra não esconde realmente o tema da música. Convenhamos que “Before you know what's going on/I may go down”, “my rocket on fire”, “my pants on fire”, não são metáforas particularmente discretas! É a maneira dos Edguy nos dizerem que o Tobias será sempre o Tobias... não gostam de palhaçada num álbum de metal? Nós ouvimos músicas sobre matar dragões e adoramos, por Deus!

Não vos assusta mais que o Luca Turilli use camisolas de alças ao vivo?

Pensem nisso camaradas...

No fim de contas, Rocket Ride é um álbum que se destaca pela variedade e pelo lado mais Hard-Rock e menos Power-Metal. Isto pode ser mau para uns e bom para outros, mas parece-me que é essencial que deixem o álbum crescer em vós à medida que se habituam aos seus coros, às suas melodias e percebem as pérolas que ali se encontram polidas pela produção irrepreensível do Sascha Paeth e um Tobias Sammet que cada vez canta melhor, com mais entrega, e com as goelas cada vez mais afinadas. São 14 anos de carreira deste gajos e se eles envelheceram, de certeza que não parece.

Só não gostarão deste álbum se levarem a mal o facto dos Germânicos não terem feito outro Hellfire Clube ou outro Mandrake talvez... mas aí iriam criticá-los por falta de evolução, certo? Rocket Ride apresenta uns Eguy com várias mudanças mas ainda claramente reconhecíveis como eles próprios e francamente espero que continuem a evoluir e ainda assim manterem-se reconhecíveis como os tipos que fizeram o delicioso Vain Glory Opera . Cada álbum destes tipos é um pouco único, com algo igual, algo diferente, uns fãs que se perdem e uns que se ganham.

Francamente? Adorei!

8/10

Colaborador: Marcp Trigo