01. Defeat
02. Bitter Metallic Side
03. Time Takes Us All
04. To The Gallows
05. Svieri Doroga
06. The Black Waltz
07. With Terminal Intensity
08. Man Of The King
09. The Groan Of Wind
10. Mindrust
11. One From The Stands

 

ANO
NOTA
2006 10/10
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KALMAH

The Black Waltz

Confesso que não conhecia a banda. Foi um tiro no escuro quando tomei pela primeira vez contacto com a banda e, para erro meu, apenas com este álbum, o 4º trabalho do grupo.

O género de música que mais me entra pelos ouvidos leva-me a pesquisar muito do Metal escandinavo; tenho um gosto especial pelo que chega da Filândia, quer seja Viking, Folk, Black, etc.. e até aqui estes Kalmah foram uma surpresa. Como não conhecia nada sobre a banda, fui indagar qualquer coisa acerca do seu hirtorial e do som que nos oferecem. Alguém os descreveu como uma banda Speed/Power with Harsh Vocals. “Qualquer coisa estampada de Children of Bodom”, pensei.

Mas não! Estes Filandeses trazem-nos uma sonoridade muito característica e muito técnica, que me faz corar de vergonha não os ter conhecido antes. Tem uma guitarra bestialmente entusiasmante durante todo o álbum, cheia de solos e floreados, tem órgãos e coros diversos, tem ambiente, tem epicidade, tem uma vocalização harsh ao nível do melhor Death e tem uma componente sinfónica que para mim, juntando todos estes ingredientes, posso considerá-la Symphonic Metal ou Extreme Symphonic Metal. Imaginem o melhor de Children Of Bodom com a percussão de uns Dimmu Borgir. Está lançado o desafio para irem a correr à loja e delirarem com o álbum.

A primeira faixa, “Defeat”, começa relativamente simples, para abrir com todo o explendor depois. Uma excelente guitarra dá o mote para riffs poderosos aliados a guitarras extremamente trabalhadas, com incontáveis mudanças de ritmos, teclas divinas a fazer lembrar violinos e uma bateria que preenche a música de uma forma brilhante. Comentar este álbum vai ser dificil, porque em todas as músicas irei repetir-me nos elogios…

“Bitter Metallic Side” apresenta-se muito épica e calma ao início. Só ao início. De seguida, ao melhor estilo Death, explode de fúria com riffs poderosos, mas sempre com aquela componente sinfónica por trás e mais solos virtuosos de guitarra. Nota máxima para a bateria nesta faixa que me fez reviver o estilo do Nicholas (ex-Cradle Of Filth).

Em “Time Takes Us All” nem temos descanço entre a faixa anterior e esta. O pedal duplo rebenta-nos os tímpanos, a voz espezinha-os por completo! Muito poder em tão pouco espaço de tempo, com solos melódicos aqui e ali ao longo de toda a faixa, intercalados por riffs graves e pesados. Headbanging garantido.

A quarta faixa, “To The Gallows”, começa de forma muito ritmada e com riffs muito bem conseguidos, com solos a acompanhar divinos. Todo este ritmo é alternado por momentos de total caos, que muito se devem à excelente actuação da bateria. Durante toda a música temos uma lead guitar soberba, a cargo de Antti Kokko (ex-Eternal Tears Of Sorrow) que, acompanhada das teclas, torna esta faixa num prazer para os ouvidos.“Svieri Doroga” é um breve interlúdio composto apenas por guitarra acústica e bateria, muito calmo e melódico, para nos dar oportunidade de recuperarmos o fôlego.

A faixa que dá nome ao álbum, “The Black Waltz” começa com teclas verdadeiramente épicas e com a bateria em segundo plano, para pouco depois entrar a já habitual guitarra e as harsh vocals. Não tão trabalhada como faixas anteriores, mas a vertente sinfónica tem qualquer coisa Dark-Wave que me agradou.

“With Terminal Intensity” começa com uma bateria voraz e uma guitarra em género de abertura para uma autêntica cavalgada, enquanto um solo em segundo plano faz as nossas delicias. Talvez a melhor faixa do álbum, toda a voz explode, juntamente com mudanças abruptas de ritmo, harmónicas extremamente bem colocadas e teclas irrepreensíveis. Lá para meio, uma influência Doom abranda o nosso ritmo cardíaco para novamente o pormos em alta rotação. Verdadeiramente estrondosa!

“Man Of The King” é uma faixa muito bem elaborada, com grandes riffs e solos de cortar a respiração. Muito agressiva do início ao fim, mas sempre com aquela componente sinfónica presente nas faixas anteriores, faz-nos lembrar Children Of Bodom com teclas de Extreme Symphonic Metal.

A oitava faixa, “The Groan Of Wind”, é uma música que se apresenta inicialmente muito épica com uns certos laivos Doom, que serve de abertura para uma excelente lead guitar e riffs muito cativantes. A bateria está num contexto relativamente simples em relação a faixas anteriores mas foi muito bem colocada, dando uma atmosfera mais soturna a toda a música. Influências notórias de Viking Metal, pela epicidade conseguida. Mas toda a faixa vai evoluindo progressivamente até atingir a sonoridade brutal que já ouvimos até então, com a bateria a acompanhar esta evolução aquando da entrada do pedal duplo.

“Mindrust” começa com riffs poderosos e harmónicas bem colocadas. Uma guitarra solo perfeita, com breves pausas, intercaladas com riffs rapidíssimos e percussão poderosíssima conferem a toda esta faixa, juntamente com uma voz muito cavernosa uma atmosfera muito pesada, quebrada apenas por momentos melódicos de guitarra e teclas. Muito, muito técnica.

“One From The Sands” encerra este magnífico album. Uma linha de baixo e bateria abrem as hostilidades, para pouco depois termos uma guitarra melódica e ouvi-la passar para riff bastante pesado. Se de vez em quando nos faz lembrar a banda de Alexi Laiho, toda a componente Extreme Symphonic faz-nos recordar que não. É mais uma faixa verdadeiramente soberba que nos faz esquecer que existem outras bandas do género na Filândia.

Em suma, este álbum foi uma agradável surpresa, e a nota final que darei irá reflectir isso. Devido à surpresa que o contacto com Kalmah foi para mim, a ter testemunhado toda a técnica posta no álbum (e ouvi-o diversas vezes seguidas) a não se deixarem confundir com bandas conterrâneas que já falei e como compensação por não ter descoberto esta pérola filandesa mais cedo, terei de dar, de bom grado, nota máxima a este trabalho.

Colaborador: Cesar Verissimo