|
|
KALMAH The Black Waltz Confesso que não conhecia a banda. Foi um tiro no escuro quando tomei pela primeira vez contacto com a banda e, para erro meu, apenas com este álbum, o 4º trabalho do grupo. O género de música que mais me entra pelos ouvidos leva-me a pesquisar muito do Metal escandinavo; tenho um gosto especial pelo que chega da Filândia, quer seja Viking, Folk, Black, etc.. e até aqui estes Kalmah foram uma surpresa. Como não conhecia nada sobre a banda, fui indagar qualquer coisa acerca do seu hirtorial e do som que nos oferecem. Alguém os descreveu como uma banda Speed/Power with Harsh Vocals. “Qualquer coisa estampada de Children of Bodom”, pensei. Mas não! Estes Filandeses trazem-nos uma sonoridade muito característica e muito técnica, que me faz corar de vergonha não os ter conhecido antes. Tem uma guitarra bestialmente entusiasmante durante todo o álbum, cheia de solos e floreados, tem órgãos e coros diversos, tem ambiente, tem epicidade, tem uma vocalização harsh ao nível do melhor Death e tem uma componente sinfónica que para mim, juntando todos estes ingredientes, posso considerá-la Symphonic Metal ou Extreme Symphonic Metal. Imaginem o melhor de Children Of Bodom com a percussão de uns Dimmu Borgir. Está lançado o desafio para irem a correr à loja e delirarem com o álbum. A primeira faixa, “Defeat”, começa relativamente simples, para abrir com todo o explendor depois. Uma excelente guitarra dá o mote para riffs poderosos aliados a guitarras extremamente trabalhadas, com incontáveis mudanças de ritmos, teclas divinas a fazer lembrar violinos e uma bateria que preenche a música de uma forma brilhante. Comentar este álbum vai ser dificil, porque em todas as músicas irei repetir-me nos elogios… “Bitter Metallic Side” apresenta-se muito épica e calma ao início. Só ao início. De seguida, ao melhor estilo Death, explode de fúria com riffs poderosos, mas sempre com aquela componente sinfónica por trás e mais solos virtuosos de guitarra. Nota máxima para a bateria nesta faixa que me fez reviver o estilo do Nicholas (ex-Cradle Of Filth). Em “Time Takes Us All” nem temos descanço entre a faixa anterior e esta. O pedal duplo rebenta-nos os tímpanos, a voz espezinha-os por completo! Muito poder em tão pouco espaço de tempo, com solos melódicos aqui e ali ao longo de toda a faixa, intercalados por riffs graves e pesados. Headbanging garantido. A quarta faixa, “To The Gallows”, começa de forma muito ritmada e com riffs muito bem conseguidos, com solos a acompanhar divinos. Todo este ritmo é alternado por momentos de total caos, que muito se devem à excelente actuação da bateria. Durante toda a música temos uma lead guitar soberba, a cargo de Antti Kokko (ex-Eternal Tears Of Sorrow) que, acompanhada das teclas, torna esta faixa num prazer para os ouvidos.“Svieri Doroga” é um breve interlúdio composto apenas por guitarra acústica e bateria, muito calmo e melódico, para nos dar oportunidade de recuperarmos o fôlego. A faixa que dá nome ao álbum, “The Black Waltz” começa com teclas verdadeiramente épicas e com a bateria em segundo plano, para pouco depois entrar a já habitual guitarra e as harsh vocals. Não tão trabalhada como faixas anteriores, mas a vertente sinfónica tem qualquer coisa Dark-Wave que me agradou. “With Terminal Intensity” começa com uma bateria voraz e uma guitarra em género de abertura para uma autêntica cavalgada, enquanto um solo em segundo plano faz as nossas delicias. Talvez a melhor faixa do álbum, toda a voz explode, juntamente com mudanças abruptas de ritmo, harmónicas extremamente bem colocadas e teclas irrepreensíveis. Lá para meio, uma influência Doom abranda o nosso ritmo cardíaco para novamente o pormos em alta rotação. Verdadeiramente estrondosa! “Man Of The King” é uma faixa muito bem elaborada, com grandes riffs e solos de cortar a respiração. Muito agressiva do início ao fim, mas sempre com aquela componente sinfónica presente nas faixas anteriores, faz-nos lembrar Children Of Bodom com teclas de Extreme Symphonic Metal. A oitava faixa, “The Groan Of Wind”, é uma música que se apresenta inicialmente muito épica com uns certos laivos Doom, que serve de abertura para uma excelente lead guitar e riffs muito cativantes. A bateria está num contexto relativamente simples em relação a faixas anteriores mas foi muito bem colocada, dando uma atmosfera mais soturna a toda a música. Influências notórias de Viking Metal, pela epicidade conseguida. Mas toda a faixa vai evoluindo progressivamente até atingir a sonoridade brutal que já ouvimos até então, com a bateria a acompanhar esta evolução aquando da entrada do pedal duplo. “Mindrust” começa com riffs poderosos e harmónicas bem colocadas. Uma guitarra solo perfeita, com breves pausas, intercaladas com riffs rapidíssimos e percussão poderosíssima conferem a toda esta faixa, juntamente com uma voz muito cavernosa uma atmosfera muito pesada, quebrada apenas por momentos melódicos de guitarra e teclas. Muito, muito técnica. “One From The Sands” encerra este magnífico album. Uma linha de baixo e bateria abrem as hostilidades, para pouco depois termos uma guitarra melódica e ouvi-la passar para riff bastante pesado. Se de vez em quando nos faz lembrar a banda de Alexi Laiho, toda a componente Extreme Symphonic faz-nos recordar que não. É mais uma faixa verdadeiramente soberba que nos faz esquecer que existem outras bandas do género na Filândia. Em suma, este álbum foi uma agradável surpresa, e a nota final que darei irá reflectir isso. Devido à surpresa que o contacto com Kalmah foi para mim, a ter testemunhado toda a técnica posta no álbum (e ouvi-o diversas vezes seguidas) a não se deixarem confundir com bandas conterrâneas que já falei e como compensação por não ter descoberto esta pérola filandesa mais cedo, terei de dar, de bom grado, nota máxima a este trabalho. Colaborador: Cesar Verissimo |