01: leaders

02: deliberation

03: soil's song

04: my twin

05: consternation

06: follower

07: rusted

08: increase

09: july

10: in the white

11: the itch

12: journey through pressure

 

ANO
NOTA
2006
9/10
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KATATONIA

The Great Cold Distance

Katatonia é uma daquelas bandas que não páram de evoluir. Se, no início, no espantaram com o grande álbum de estreia “Dance Of December Souls”, para muitos considerado um álbum mítico dentro do género Death / Doom, este mais recente trabalho “The Great Cold Distance” está um álbum muito diferente do som inicial da banda sueca, mas igualmente bom.Digamos que o som já não é Death Metal. Na verdade, é um Depressive Rock ou, como a banda gosta de intitular a sua sonoridade, “Despair Rock”. Quer isto dizer que perdeu o peso do Death Metal, mas toda a angústia, melancolia e tristeza inerentes ao Doom continuam por cá, agora mais “soft”. A presente voz de Jonas Renkse faz lembrar a de Maynard Keenan (vocalista de Tool). Muito bem adaptada ao género musical da banda, muito actual, ajuda a aligeirar o ambiente pesado e lento dos instrumentos.

O álbum inicia com “leaders”. Uma guitarra muito bem conseguida, com solos de uma outra por detrás muito floreados abrem caminho à depressão que vamos sentir durante o álbum. Uma bateria irrepreensível acompanha todo este ambiente, em que somos surpreendidos vezes sem conta com mudanças bruscas de ritmos e decibéis. Voz muito melódica, muito límpida.

“Deliberation” inicia com uma harmónica e uma guitarra muito ritmada e suave. Toda a faixa é na sua generalidade muito calma e suave, que nem os riffs pesados no meio da faixa conseguem destruir. Muito etérea, transporta-nos para outra dimensão. Talvez das músicas com maior componente melódica de todo o álbum.

A terceira música, “Soil's Song” é praticamente um seguimento da anterior. Muito lenta e melódica, explode de repente com riffs muito pesados e harmónicas extremamente bem colocadas, dando um ambiente de peso brutal, alternando com partes melódicas em que quase entramos em transe.

“My Twin” inicia com uma guitarra melódica quase fúnebre, mas abre depois para um som muito melódico quase astral, onde a voz é colocada de uma forma soberba. Distorção ligada e temos um excelente momento Doom Metal para, mais uma vez, passarmos à calma que caracteriza este álbum. Este momento Doom repete-se mais uma vez, juntamente com um breve solo de guitarra para terminar com um bom momento de peso.

“Consternation” engana-nos. Começa com um som ao nível Melodic Death mas muda abruptamente para o célebre som calmo e melódico conseguido pela voz de Jonas Renkse. De novo, engana-nos, passando a oferecer-nos o peso Melodic Death com a voz límpida e cristalina. Excelente contraste e mudança de tempo e ritmos que transformam esta música numa das minhas preferidas do álbum.

A sexta faixa, “Follower”, começa com uma boa bateria e uma linha de baixo simples mas bem conseguida. Uma vocalização quase inaudível de início, vai subindo progressivamente e dá-nos um ambiente de muita melancolia. Perfeito para pessoas com metabolismo lento. Perfeito porque mal esperam a música desperta para nos despertar também daquele “sono” momentâneo, para depois voltarmos a mergulhar nele. Depressive Rock com muitas influências de Ambient. Muito bem conseguida.“Rusted” tem uma guitarra melódica, acompanhada de uma bateria muito elaborada. Novamente, as variações de ritmo e alternâncias de distorção ou falta dela estão bem patentes nesta faixa. Fãs de Tool ou de A Perfect Circle irão gostar desta faixa e deste álbum.

A oitava faixa, “Increase” é, como o próprio nome indica, um aumento de decibéis e de peso. Começa com um excelente riff para depois nos transportar nas asas dos anjos e embalar-nos com todo o seu Ambient celestial. Só que este Ambient acaba e o peso que se segue faz-nos cair das asas do anjo e acordar para a realidade. Uma faixa com uma guitarra muito bem conseguida e uma linha de baixo divina, para nos acompanhar no “vôo”…

“July” é uma faixa muito simples em temros de guitarra, muito complexa em termos de bateria mas que resulta na perfeição. A voz está, como sempre, muito melódica, mas a banda resolver presentear-nos com algum peso adicional neste “July”, em vez da habitual predominância Ambient.

“In The White”começa com uma bateria muito completa a acompanhar a guitarra ritmo, para depois termos direito a um breve solo muito bonito e definido. Trata-se de uma música muito atmosférica. Eu diria que poderá ser útil para aqueles momentos de meditação que todos precisamos. É uma faixa que nos deixa de forma excelente apreciar toda a qualidade técnica dos músicos, inclusive nos breves momentos com distorção que a música tem pelo meio.

“The Itch” começa em Fade In e começa bem. Com peso! Mas, mais uma vez, somos “Enganados”; o peso dura pouco e como isto é um álbum “Despair Rock”, o ambiente calmo, quase doloroso e muito melancólico está, como é óbvio, sempre presente. Os breves momentos de agitação, altura que se poderá ver algum movimento num concerto da banda, não passam disso mesmo nesta faixa: breves momentos. Não é uma música para agitações: é uma música para relaxar.

A faixa que encerra o álbum, “Journey Through Pressure”, parece uma despedida. Aqueles breves momentos da morte de alguém, em que são ditas as últimas palavras, e a vida lhes passa à frente dos olhos. Pode ter sido um desses casos. Muito melancólica e obscura, nem a voz límpida ajuda a alegrar o ambiente, porque esta permancece quase um lamento durante toda a música. Sem dúvida, a música mais profunda de todo o álbum, a envergonhar muitos mestres do Doom Metal.

Finalizando, os fãs de Katatonia de antigamente talvez estranhem. Os que apreciem a mudança talvez entranhem e gostem. Mas uma coisa, quer se goste quer não, é inegável: está um álbum muito poderoso no seu conceito, capaz de mudar a nossa disposição muito rapidamente e que tem uma qualidade técnica muito acima da média. Como disse, fãs de Tool e de A Perfect Circle irão gostar, bem como todos aqueles que apreciam Doom mas gostam devez em quando de ouvir algo mais atmosférico.

9/10

Colaborador: César Veríssimo