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Mata-Ratos “Festa Tribal” A banda mais emblemática do Oi! Punk português acaba de lançar agora um disco ao vivo, “Festa Tribal”. Promovendo ainda o seu último trabalho “És Um Homem Ou És Um Rato”, os Mata-Ratos assinalam aqui um ponto importante na sua já extensa carreira. Talvez o nome não vos relembre à primeira quem eles são, mas conhecem aquela velhinha canção “A Minha Sogra É Um Boi”? Claro que sim! E tenho a certeza que a cantaram montes de vezes. Aliás, “Rock Radioactivo” é um dos melhores registos de todo o – pobre – panorama Punk português. Assinalando críticas mordazes à nossa sociedade, em especial à Igreja e Estado, a banda abre o concerto com “Paralesia Cerebral” e “Raça Humana, Raça Superior”, provocando um enorme frenesim numa plateia que sabe as letras de todas as canções de cor e salteado. O som está, em geral, a um nível aceitável, especialmente se tivermos em conta os escassos orçamentos que as bandas Punk sempre têm para este tipo de edições, pois todos os instrumentos estão a bom nível, tal como as vozes de M. Newton e os seus colegas que o ajudam nos coros de cada canção. “Caralho, tocamos há três dias com os Parkinsons, mal nos aguentamos em pé…” vocifera Newton no início da hilariante “Musgueira Chainsaw Massacre”… mas do início ao fim do disco não se nota o cansaço da banda, bem pelo contrário. Quem os vê ao vivo há longos anos sabe bem que esta banda dá sempre aquilo que tem e o que não tem em todos os concertos, quer toque para uma ou mil pessoas! “Napalm Na Rua Sésamo” (outro “hit”) é das canções mais aplaudidas no disco, e outra coisa não seria de estranhar, visto ser ela uma espécie de hino da banda. Mas o momento “orgásmico” chega com “A Minha Sogra É Um Boi”! É sempre um prazer ouvir esta mítica canção! É contagiante e mostra tudo isso nas partes em que Newton se cala e deixa que o público cante por ele. Fantástico! “O Gangue Das Batinas” e “Deus, Pátria & Família” continuam o “set” com enorme profissionalismo e ironia, e é na mesma impressionante o facto de se ouvir toda a gente a cantá-las mesmo que sejam do recente “És Um Homem Ou És Um Rato”, e aqui nem o Padre Borga escapa à crítica, nem mesmo o regime Salazarista e a guerra do Ultramar. São vinte canções repletas de energia e entusiasmo que confirmam que os Mata-Ratos são mesmo a melhor banda Punk do país. O Punk pode estar morte, mas estes ratos não! Colaborador: Simão Fonseca |