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SATYRICON Now, Diabolical Quatro anos passaram desde “Volcano”, um álbum não muito bem aceite por bastante gente que preferia o Black Metal mais puro da banda, presente em álbuns anteriores. No entanto, “Volcano” foi também um álbum mais bem aceite por outros que gostam de apreciar algumas mudanças nas bandas e maior originalidade. Foi um álbum controverso por isto mas sem dúvida muito bem tocado e bem produzido. Chegámos a 2006. este novo trabalho da banda norueguesa Satyricon está na linha do seu antecessor de que falei acima. Esqueçam os revivalistas que queriam ouvir Raw Black estilo “Dark Medieval Times”. Está um álbum muito original, se pensarmos que estamos a falar de uma banda Black Metal. Mais lento do que álbuns monumentais como “The Shadowthrone”, com menos influências Viking, como este, de 1995. Para mim, talvez o melhor álbum de Satyricon, a par com “Nemesis Divina”. Mas falemos de “Now, Diabolical”. Pode não ser o melhor trabalho da banda, mas temos de dar o devido crédito a Satyr e Frost por implementarem tanta mudança dentro do género Black e apresentarem um resultado final como este! Black Metal como este álbum (e “Volcano”) identifica-se logo com Satyricon e isso é bom. Uma produção sem máculas fazem boa parte do sucesso da banda. O resto, descreverei com o desempenho dos dois membros. O álbum começa com a faixa que dá nome ao álbum, “Now, Diabolical”. Um riff extremamente grave mostra-nos o que nos espera. Pouco depois é-nos apresentada a voz muito grave de Satyr, inconfundível. Todo o som é parecido com Raw Black, mas com uma produção decente e de fazer inveja a muitas outras bandas. É certo que Raw Black é suposto ser “mal gravado”, mas a idéia de o fazer num estúdio em condições é bem vinda! Parece-me mais uma faixa de abertura que uma grande faixa, mas destaco o pedal duplo nesta e as variações de guitarra. Muito poderoso. De seguida, “K.I.N.G.” será talvez a minha faixa de eleição do álbum. Começa em fade in com uma guitarra quase em sofrimento e entra depois a bateria para dar um aspecto verdadeiramente soturno e um ambiente muito mórbido. Satyr é uma máquina em estúdio, sendo vocalista, guitarrista, baixista e teclista. A guitarra, repetitiva mas que funciona ne perfeição, ao deixar sobressair a percussão e a voz, com bastantes quebras para pôr em destaque certos riffs e o pedal duplo estão perfeitas. Lenta e bastante pesada, dá o mote para a próxima música. “The Pentagram Burns” começa com uma guitarra algo imperceptível devido aos pratos da bateria, mas abre de forma muito grave e tenebrosa, uma característica presente em todo o álbum. De novo lenta e pesada, com certos solos pelo meio e acompanhada de uma boa bateria, será a banda sonora ideal para o vosso Apocalipse. A voz tem aqui um bbom e diferente arranjo, algo como um “afogamento” fantasmagórico, que concede um efeito muito interessante à faixa. A bateria mantém aquele ritmo apocalíptico, como se nos estivesse a preparar algo de mau. Excelente faixa, também! “A New Enemy” entra com teclas durante breves momentos, altura em que a guitarra e a bateria, nomeadamente os bombos e os pratos dão a sua entrada. A voz, mais grave que nunca, surge como uma narração, quase inaudível. Temos um excelente período para o slam-dancing e depois tudo explode com a voz habitual de Satyr e com uma bateria que preenche por completo todo o ambiente. A guitarra, muito melódica em grande parte da música, varia inúmeras vezes de ritmo, alternando com certos solos de bateria onde toda a rapidez de Frost é posta à prova. “The Rite Of War Cross” começa com um estranho sino e com uma calma guitarra acústica. Todo o ambiente é muito Doom, lento e melancólico, incluíndo a bateria, até que sem aviso começa o verdadeiro inferno! Os instrumentos dão uma volta de 180º e mostram-se em toda a sua brutalidade, quer em agressividade quer em rapidez para mudarem novamente de ritmo sem aviso prévio, novamente calmo e muito pesado. Não queiram lá estar à frente no concerto quando esta faixa for tocada (aliás, queiram!!!). É a entrada do Diabo na Terra. Excelente bateria, será a faixa onde as teclas mais sobressaem, e a guitarra, com as suas variações de ritmo e com partes acústicas está muito bem conseguida. “That Darkness Shall Be Eternal” é um verdadeiro hino! Muito agressiva e pesada, pedal duplo muito presente, guitarra constantemeente a solar, com breves riffs aqui e ali verdadeiramente… diabólicos, como o título do álbum. Bastantes quebras de ritmo e novas entradas muito agressivas caracterizam esta grande faixa, acompanhada de uma voz muito cavernosa ao melhor estilo Black. De seguida, “Delirium” é uma faixa que de início é bastante calma, com notórias influências Funeral Doom, riffs lentos, teclas a recriar um ambiente muito mórbido e melancólico. Um excelente solo abre para a entrada de uma voz muito harsh. De tempos a temos temos uma breve explosão de bateria para novamente ouvirmos os lamentos da guitarra. Toda a faixa vai crescendo de tempo e decrescendo novamente, até regressar ao Funeral Doom do início. Fãs de Doom Metal, deliciem-se com esta. Por último, “To The Mountains” é uma faixa com alguma comonente épica, para a qual contribui uma entrada com voz muito calma. Temos, entre toda uma narração quase bíblica (o que quer que isso signifique em Satyricon) um grito de raiva que dá nome à faixa, aumentando, em conjunto com todo o ambiente recriado pela guitarra e bateria a atmosfera épica. É a mais longa faixa de todo o álbum, e é talvez nesta faixa que é mais notório o Black Metal Escandinavo. Um excelente solo sensivelmente a meio da faixa acompanhado de uma bateria repetitiva mas muito bem elaborada e das teclas torna-a num prazer para os ouvidos de qualquer um. Posso apenas dizer que me deu muito gozo ouvir este álbum. Na sequência do anterior, mas com quatro anos para ser pensado e gravado, “Now, Diabolical” é uma verdadeira pérola Black Escandinava, para mais porque não ouvirão mais nada igual dentro do Black. Conseguiram, com sucesso, fugir ao estigma do Black Metal puro, pouco permeável a mudanças e tal originalidade, na minha opinião, foi bem conseguida. Colaborador: César Veríssimo |