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SEPULTURA DANTE XXI Uma das bandas mais conhecidas do grande universo que é o Heavy Metal regressa em 2006 com mais um longa-duração. Parece que não, mas a banda acaba de completar vinte anos de existência e, quando eu vejo fotos dos primeiros EPs/álbuns da banda parece que ainda sinto aquela ideia que todos nós temos “hey, o Igor, o Paulo e o Andreas ainda são uns putos com dezoito anos que resolveram juntar-se para fazer uma metalada bem fodida”. Mas a verdade é que já estão mais velhotes. Contudo, a energia parece nunca se esgotar. Sinceramente, nunca percebi o porquê de criticarem de forma depreciativa o excelente e refrescante (ano de 1992) “Chaos A.D.”, ou a maneira absurda como apelidaram o quarteto aquando do lançamento de “Roots”. “Chaos A.D.” é simplesmente um álbum que qualquer fá de Metal deve ter na sua prateleira: ritmos a rondar o tribal, “groove” para dar e vender, canções bem estruturadas e orelhudas, etc. Um “must”. Quanto a “Roots”, foi um álbum esquisito que foi contra praticamente tudo o que a banda tinha feito no passado. Guitarras totalmente “down-tuned”, bateria a meio gás e uma voz de Max Cavalera completamente cheia de efeitos. “Ratamahata” e “Roots Bloody Roots” são excelentes canções, dê-se o crédito. Em boa hora que Max foi despedido da banda, caso contrário a esta hora teríamos uns Sepultura a tocar Reggae ou um som de contornos bem Nu-Metal (imaginem um “Primitive” lançado pelos Sepultura… com aqueles chavalos da moda aos saltinhos com mochilas com patches de Deftones e Korn…). Estou felicíssimo por Max ter sido “kicked out” da banda. Derrick Green teve a árdua tarefa de substituir o famoso “frontman”, e se ao início teve vários problemas (nem deixaram o rapaz respirar com tanta pressão…), a verdade é que o norte-americano já fala um português bem fluente e já se enquadrou no som que a banda pretende tomar: um Crossover bem Hardcore. Não há que enganar. “Dante XXI” é a afirmação pessoal de Derrick. Baseado na famosa obra literária de Dante, este CD é um álbum que roça o conceptual, dando seguimento ao – positivo - “Roorback”. Depois de uma introdução curta, “The Dark Wood of Error” abre o disco, com um bom jogo de pés de Igor Cavalera, sempre bem auxiliado pelos “riffs” OLD SCHOOL de A. Kisser, sempre a roçar o Thrash Metal de um “Arise”, não fosse a voz cuspida de Derrick. A música toma o seu seguimento lógico em “Convicted in Life”, uma grande malha, em dúvida. Relembra-me os bons velhos tempos daquelas malhas “Slave New World”, ou “Biotech is Gozilla”! Seguem-se “City of Dis” e “Faise”. “Faise” tem um solo bem idêntico aos que encontramos na citada “Biotech is…”, mas com um toque mais épico… complicado de descrever, têm que ouvi-la. Enfim, estar aqui a descrever música a música seria muito moroso e cansativo, portanto fiquem com a ideia de o resto do álbum só melhora. Qualquer canção pode dar um single… “Still Flame” quase que poderia mesmo estar incluída num CD de música do mundo com toques de Art Rock. Seria engraçado ver Thomas Newman a trabalhar com os Sepultura, aposto que o resultado seria surpreendente. Vale bem a pena escutar com atenção o melhor disco da era Derrick Green. Colaborador: Simão Fonseca |