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Testswitch Isolator “Lets Dance” Há coisas que quando metemos no leitor nos fazem encolher o pescoço e repetir incessantemente “isto vai doer, isto vai doer, isto vai doer...”. Uma tal dessas coisas é o álbum “Lets Dance” dos Britânicos “Testswitch Isolator” . Em circunstâncias normais, nem Grindcore nem Quim Barreiros entram no meu leitor de CD's, posto que tenho medo que o primeiro género mutile o laser e o segundo o leve ao suicídio. Ora se algum dos dois ia perder a virgindade no leitor, então venha o Grindcore. Eu não sou um tipo particularmente medroso e embora o metal mais extremo me faça sangrar os ouvidos e ranger os dentes, o meu maior problema são as letras e os títulos das músicas. Eu sei que alguns se sentem rebeldes e outros se sentem ofendidos sempre que ouvem uma música com insinuações anais e necrófilas sobre Jesus Cristo. Eu rio-me como um perdido e isso estraga a experiência... Com músicas com nomes como “Chubby Gets Slapped”, “Ballroom Cancer”, “This Rat Spawn Went To Sumo Lessons” ou “Now You See It, Now It's Been Shot in the Head by an AK47” , este album não me parecia ir ser nada de novo. Ainda assim dava para notar claras influências Inglesas, pois nenhum Grindcore Americano teria no mesmo folheto “quid” e “tea party”. Pela altura que li o título “Overwhelming Like a Necrophiliac Teat Party” , as lágrimas já me corriam pelas trombas abaixo. Nem mesmo os gritos de horror de uma gaja e um gajo qualquer, no fim de mas a verdade é que “grindcore” é apenas um dos nomes que podemos atribuir à banda que possui uma excelente capacidade técnica, evidenciada nas inúmeras passagens de jazz altamente experimentais que os tornam comparáveis a Dillinger Escape Plan com um pouco de Mr. Bungle, ou um pintalgar Rage Against the Machine (“with this gun in your mouth, this time you're sucking off bullets”), com o vocalista a dar uns toques de Mike Patton e ainda sobrando tempo para uns riffs punk à la Ramones . Estes jovens claramente acham muito bem deles mesmos e a atitude das músicas é de alguma arrogância e auto-conceito quase pretensioso. Só que este tipo de atitude poderia falhar redondamente e não falha! Confesso que logo na primeira música não percebi se ele estava a cantar ou se eu e o meu gato estávamos a ser atacados por um Pittbull raivoso, mas depois entram as passagens jazzy e experimentalistas e o álbum merece por completo o nome de “Let's Dance” , porque a verdade é que fora os grunhidos e os ataques do grindcore, o álbum é muito groove, muito convidativo a um ou outro movimento repetitivo da espinha. Às vezes, parece uma banda sonora de Quentin Tarantino... Os Test Switch Isolator conseguem ser irreverentes, agressivíssimos, mas altamente técnicos, experimentalistas, com algum humor bem colocado (tenho de me rir com o modo como ele diz “pucker up your lips – kiss my fist”). A música não perde o cariz pretensioso, mas pelo menos a qualidade não é inferior à atitude, restando ainda perceber se estes jovens são eles mesmos ou imitadores de DEP . A surpresa (e parte da classificação é mesmo pela surpresa) é que fora os berros, o álbum agradou-me tremendamente pelo grau de experimentalismo e diversidade técnica que consegue conter meter em 24 minutos de música (isto sim, tipicamente grindcore). Muito inesperado e fãs das bandas atrás citadas podem considerar uma obrigação descobrirem os Test Switch Isolator . Se agradaram a um velho adorador de Power-Metal, imaginem o que farão por vós... Os meus agradecimentos ao Carlos por me ter mostrado a banda e o meu “nha-nha-nha” ao César que provavelmente me tentará matar para ficar com isto...
Colaborador: Marco Trigo |