1.Vicarious

2.Jambi

3.Wings For Marie (Part 1)

4.10,000 Days (Wings Part 2)

5.Pot, The

6.Lipan Conjuring

7.Lost Keys (Blame Hofmann)

8.Rosetta Stoned

9.Intension

10.Right In Two

11.Viginti Tres

ANO
NOTA
2006 9/10
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Tool

“10,000 Days”

Demoraram cinco anos para que a banda de Los Angeles resolvesse lançar um novo longa duração. “Lateralus” (2001) foi, na minha opinião, um dos melhores álbuns do ano, talvez mesmo o melhor, deixando-me estupefacto pela sua composição e sonoridade, visto que descobri a banda com esse álbum.

Maynard James Keenan, líder da banda, como a maioria dos leitores sabe, é também elemento principal dos A Perfect Cicle, sendo que Keenan não parou durante o ano de 2001 até 2006: esteve envolvido na composição e promoção dos álbuns de A Perfect Circle, cimentando assim duas bandas de grande calibre com a sua assinatura pessoal. Se me perguntarem qual das duas bandas mais eu gosto, a resposta é Tool. Os californianos conseguiram em quinze anos de existência criar uma identidade que soa diferente de tudo, praticamente, deixando clichés de fora, modas de lado, apostando antes num estilo musical que é complicado de catalogar, de descrever não o é. A banda pratica um Rock/Metal que bebe influências do mais Art Rock, do Grunge dos Tad/Alice In Chains, do Progressivo dos Pink Floyd… bom, afinal é complicado de descrever…

“Vicarious” (single) e “Jambi” são das poucas canções que realmente poderiam ser consideradas Lado B ou “sobras” de “Lateralus”, porque estes dez mil dias soam bem mais crus, mais rock e mais ambientais que aquilo que a banda já fez no passado. A pujança demostrada em “Vicarious” mostra que a banda não anda aqui a brincar em serviço, servindo um prato forte, hipnotizante, com fantásticos jogos de timbalões e combinações perfeitas no pedal duplo, sem que seja muito veloz: tocar rápido nem sempre é o mais complicado, e Danny Carey conseguiu criar um estilo de bateria só dele; diria mesmo que Meshuggah e Opeth não seriam as bandas que hoje são sem a influência dos Tool – no geral – e este baterista original – em particular.

Uma das novidades é o timbre exótico-tribal introduzido e bem explorado pelos quatro músicos. The Mars Volta é, a meu ver, a mais óbvia influência neste aspecto, sem que leve os Tool directamete a percorrer o Post Hardcore dos “marcianos”, com excepção na bela “The Pot”: o timbre vocal de Keenan muda um pouco, colando-se um pouco a Cedric Bixlar Zavala, num total de aproximadamente seis minutos tropicais, açucarados por óptimos contratempos de Jazz, que obriga o ouvinte a fechar os olhos e a imaginar-se num paraíso cheio de harmonia e paz. E é com olhos fechados que se deve escutar esta “The Pot”.

Lá mais para o final do disco “colem-se” a “Rosetta Stoned” e respirem “10,000 Days” como o oxigénio que precisamos a todo o instante. Sem comprometer os trabalhos anteriores, apesar dos elogios rasgados que faço à banda, não é tão estimulante como “Lateralus”. Diferente de certeza, fantástico como sempre.

Nota: 9/10

Colaborador : Simão Fonseca