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Tool “10,000 Days” Demoraram cinco anos para que a banda de Los Angeles resolvesse lançar um novo longa duração. “Lateralus” (2001) foi, na minha opinião, um dos melhores álbuns do ano, talvez mesmo o melhor, deixando-me estupefacto pela sua composição e sonoridade, visto que descobri a banda com esse álbum. Maynard James Keenan, líder da banda, como a maioria dos leitores sabe, é também elemento principal dos A Perfect Cicle, sendo que Keenan não parou durante o ano de 2001 até 2006: esteve envolvido na composição e promoção dos álbuns de A Perfect Circle, cimentando assim duas bandas de grande calibre com a sua assinatura pessoal. Se me perguntarem qual das duas bandas mais eu gosto, a resposta é Tool. Os californianos conseguiram em quinze anos de existência criar uma identidade que soa diferente de tudo, praticamente, deixando clichés de fora, modas de lado, apostando antes num estilo musical que é complicado de catalogar, de descrever não o é. A banda pratica um Rock/Metal que bebe influências do mais Art Rock, do Grunge dos Tad/Alice In Chains, do Progressivo dos Pink Floyd… bom, afinal é complicado de descrever… “Vicarious” (single) e “Jambi” são das poucas canções que realmente poderiam ser consideradas Lado B ou “sobras” de “Lateralus”, porque estes dez mil dias soam bem mais crus, mais rock e mais ambientais que aquilo que a banda já fez no passado. A pujança demostrada em “Vicarious” mostra que a banda não anda aqui a brincar em serviço, servindo um prato forte, hipnotizante, com fantásticos jogos de timbalões e combinações perfeitas no pedal duplo, sem que seja muito veloz: tocar rápido nem sempre é o mais complicado, e Danny Carey conseguiu criar um estilo de bateria só dele; diria mesmo que Meshuggah e Opeth não seriam as bandas que hoje são sem a influência dos Tool – no geral – e este baterista original – em particular. Uma das novidades é o timbre exótico-tribal introduzido e bem explorado pelos quatro músicos. The Mars Volta é, a meu ver, a mais óbvia influência neste aspecto, sem que leve os Tool directamete a percorrer o Post Hardcore dos “marcianos”, com excepção na bela “The Pot”: o timbre vocal de Keenan muda um pouco, colando-se um pouco a Cedric Bixlar Zavala, num total de aproximadamente seis minutos tropicais, açucarados por óptimos contratempos de Jazz, que obriga o ouvinte a fechar os olhos e a imaginar-se num paraíso cheio de harmonia e paz. E é com olhos fechados que se deve escutar esta “The Pot”. Lá mais para o final do disco “colem-se” a “Rosetta Stoned” e respirem “10,000 Days” como o oxigénio que precisamos a todo o instante. Sem comprometer os trabalhos anteriores, apesar dos elogios rasgados que faço à banda, não é tão estimulante como “Lateralus”. Diferente de certeza, fantástico como sempre. Nota: 9/10 Colaborador : Simão Fonseca
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